sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Sabias que Vivaldi, autor de As Quatro Estações, foi padre?


O italiano Antonio Vivaldi é conhecido sobretudo pela sua música clássica As Quatro Estações. O que poucas pessoas sabem é que o compositor desta obra era padre católico.

A pesquisadora britânica Micky White, especialista em tudo o que se relaciona com este compositor famoso, publicou o livro Antonio Vivaldi. A life in documents (Antonio Vivaldi: Uma vida em documentos) e foi a consultora da exposição Viva Vivaldi. The Four Seasons Mystery (Viva Vivaldi: O mistério das Quatro Estações), no Museu Diocesano de Veneza (Itália), e que permanecerá aberta até 2018.

Para descrever Vivaldi, ela assinala que o facto de ele ser presbítero e de usar o estilo musical daquela época na sua obra são duas coisas que «o separam do resto» e que «se destaque mais do que qualquer outro: Bach não era um sacerdote, nem Mozart, nem Beethoven».

Ordenado presbítero aos 25 anos
Antonio Lucio Vivaldi nasceu em Veneza, em 1678. Filho de Giovanni Battista Vivaldi e Camilla Calicchio, Antonio Vivaldi era o mais velho de sete irmãos. O pai era um conhecido violinista naquela época e ensinou-lhe a tocar o instrumento.

Vivaldi começou a preparar-se para ser presbítero aos 15 anos. Foi ordenado com 25. Pouco tempo depois, foi nomeado capelão e professor de violino de um orfanato em Veneza chamado Pio Ospedale della Pietá.

Neste orfanato, as crianças aprendiam um ofício e saiam quando completavam 15 anos. As meninas recebiam uma educação musical e as mais talentosas permaneciam no orfanato e tornavam-se membros do coral e da orquestra.

Vivaldi, conhecido como o “sacerdote vermelho” devido aos seus cabelos ruivos, trabalhou naquele orfanato de 1703 a 1715 e depois de 1723 a 1740. Nestes últimos anos, compôs algumas das suas obras mais famosas.

Pediu dispensa um ano depois de ordenado
Um ano depois de ter sido ordenado sacerdote, Vivaldi solicitou dispensa para deixar de celebrar Missa por problemas de saúde, pois desde o seu nascimento sofria de um mal grave e desconhecido, semelhante a asma. Tudo o que se sabe sobre a sua doença está na carta que escreveu para pedir a dispensa, indicando que sentia “um aperto no peito”.

A pesquisadora Micky White concluiu que «deve ter sido muito difícil para Vivaldi ter que deixar de celebrar Missa. Deve ter sido uma decisão dele, de mais ninguém» e, em relação aos rumores de que Vivaldi foi expulso do sacerdócio ou até mesmo excomungado, White precisa que estas pessoas «são ignorantes e estúpidas», porque se alguém se remete aos factos, esses rumores «não foram provados».

Também indicou que a suposição de que o compositor foi expulso do orfanato em 1715 por abusar de uma menina do coral «não só não é verdade, como é impossível». Neste sentido, a especialista britânica indicou que, se isso tivesse acontecido, Vivaldi não teria voltado a trabalhar lá em 1723 e muitas meninas não teriam permanecido no coral até aos 70 ou 80 anos.

Foi convidado para tocar para o Papa Bento XIII
O delicado estado de saúde de Vivaldi não foi um impedimento para que continuasse compondo e, inclusive, chegou a receber vários pedidos da Itália e da Europa, por isso viajava frequentemente.

Em 1722, mudou-se para Roma, onde foi convidado para tocar para o Papa Bento XIII, e permaneceu na cidade por três anos.

Durante a sua vida de 63 anos (1678-1741), compôs cerca de 770 obras, entre elas, óperas, concertos para violino e orquestra, sonatas e música sacra. 
Para White, nas obras de Vivaldi «a música sacra está noutro nível, quando comparadas com as outras composições».

Entre as suas obras musicais estão um Glória, um Credo, um Stabat Mater, um Magnificat, um Dixit Dominus e um Laetatus sum, que Vivaldi compôs aos 13 anos de idade. Entretanto, White assinalou que durante os 38 anos que trabalhou no orfanato “provavelmente escreveu Missas completas”, mas, como muitas outras das suas obras, estas se perderam.

Vivaldi. pelo seu talento natural, tem poder de atração
White diz que o maior legado que Vivaldi deixou ao mundo sintetiza-se numa só palavra: «música. E a música emanava dele, como uma cascata», refere.

A pesquisadora britânica está convicta de que «hoje, Vivaldi poderia fazer um concerto de rock com facilidade e atrair todo o mundo. Vivaldi é inigualável, é absolutamente único».

Sem comentários:

Enviar um comentário