sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Perguntas a Cristo no meio da tempestade e a Sua pedagogia


Evangelho de Jesus Cristo segundo S. Mateus (Mt 14, 22-33), no 19.º Domingo Comum:

"Naquele dia, sendo já tarde, os discípulos, vendo Jesus caminhar sobre o mar, assustaram-se, pensando que fosse um fantasma. E gritaram cheios de medo. Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo: «Tende confiança. Sou Eu. Não temais». Respondeu-Lhe Pedro: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas». «Vem!» – disse Jesus. Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas, para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se, gritou: «Salva-me, Senhor!». Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o. Depois disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?» Logo que subiram para o barco, o vento amainou. Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus, e disseram-Lhe: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus»."

Três coisas que a Palavra de Deus nos mostra a respeito das tempestades
Em primeiro lugar, as tempestades são inevitáveis e, simplesmente, acontecerão em algum momento.
Todos nós passámos e passaremos por tempestades em algum momento da nossa vidas. Simplesmente porque elas fazem parte da existência neste mundo. Todos enfrentaremos tempos difíceis.

Perplexidade dos discípulos de Jesus: Tinham passado o dia a ouvir o Mestre e a acompanhá-lo na Sua obra, mas isso não os livrou da tempestade. Eles amavam Jesus e tinham deixado tudo para O seguir, mas isso não os poupou da tempestade.

Pedagogia de Jesus: Ele reza e, depois, vai ter com os discípulos e diz-lhes: «Tende confiança. Sou Eu. Não temais.»

Em segundo lugar, as tempestades são imprevisíveis. Elas desabam repentinamente. As pessoas tentam de todas as formas prever e programar como será o seu dia, mas simplesmente não é possível prever as calamidades da vida.

Perplexidade dos discípulos de Jesus: As tempestades transformam cenários quotidianos em lugares ameaçadores. O Mar da Galileia era muito conhecido daqueles discípulos. Alguns deles eram pescadores profissionais e cruzaram aquele mar várias vezes lançando as redes.

Pedagogia de Jesus: Aceita o desafio de Pedro, porque, muitas vezes, as tempestades mais terríveis que enfrentamos na vida não vêm de horizontes distantes, mas apanham-nos naquilo que é comum na nossa vida e que pensamos dominar. Quantas vezes a nossa vida é mudada num segundo: um telefonema, uma conversa, uma curva, um desastre humano ou natural…

Em terceiro lugar, as tempestades não fazem aceção de pessoas. Elas acontecem a pessoas boas e a pessoas más, a crentes e a incrédulos, a pessoas cultas e a pessoas analfabetas, com ricos e com pobres.

Perplexidade dos discípulos de Jesus: Eles estão no meio da tempestade porque obedeceram à ordem de Jesus que lhes disse para cruzar o lago para a outra margem. A sua pergunta poderá ter sido esta, que é comum à maioria das pessoas, a todos os crentes: «O que fiz de errado? Porque tenho de passar por isto?»
Os discípulos pensavam que os problemas só acontecem aos que desobedecem a Deus, como aconteceu com o profeta Jonas, que enfrentou a tempestade quando fugia da vontade de Deus.
Mais tarde, o apóstolo Paulo também enfrentará a tempestade, justamente porque fazia a vontade de Deus.

Pedagogia de Jesus: As tempestades vêm e passam; como passamos por elas é que faz a diferença.
Os discípulos passaram pela tempestade mesmo com Jesus presente no barco. Ser cristão não é viver numa redoma de vidro, numa estufa espiritual. Um crente que anda com Jesus também enfrenta terríveis tempestades.
«Homem de pouca fé, porque duvidaste?», foi a pergunta de Jesus. A pergunta do Senhor não era só para Pedro, nem meramente retórica.
O Senhor queria mostrar a todos que havia muitas razões para que eles acreditassem e descansassem:
1. Eles deviam confiar na palavra de Jesus, que lhes havia dito: «Passemos para a outra margem», e lembrar-se de que Ele cumpre o que diz.
2. Eles deviam crer na presença de Jesus. Havia uma tempestade, mas o Senhor estava com eles e a Sua presença livra do medo, como se reza no Salmo 23: «Ainda que atravesse vales tenebrosos, de nenhum mal terei medo porque Tu estás comigo.»
3. Eles deviam crer na paz de Jesus. Os discípulos deveriam saber que o Senhor não os abandonara, e que, no meio das tempestades da vida, precisamos de crer e descansar. Não devemos permitir que haja tempestade no nosso coração. Pode estar a trovejar, mas dentro de nós deve reinar a paz da presença do Senhor.
4. Eles deviam crer no poder de Jesus. Ele é o criador do vento e do mar.
5. A palavra que o Senhor usou para repreender o vento e o mar é a mesma que ele usou para expulsar os demónios.

«Tu és verdadeiramente o Filho de Deus»
Ele é Jesus, o filho do homem, aquele que sofre o embate do vento e da tempestade e que tem de tomar uma decisão: vai ter com os companheiros.
Ele é o Filho de Deus: aquele que “amordaça” o vento e o mar.
Ele é o Salvador que liberta do temor em que o sofrimento e a morte nos envolvem.

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