quarta-feira, 9 de agosto de 2017

A crise de vocações na Igreja não está nos “chamados”, mas nos “chamadores”

O Congresso Vocacional Nacional do Uruguai, realizado nos dias 4 e 5 de agosto, foi o espaço no qual centenas de religiosos, seminaristas, formadores e promotores vocacionais partilharam experiências e dois sacerdotes com experiência no tema concordaram que a atual “crise não é de vocações, mas de nova evangelização”, e para resolvê-la, entre outras coisas, é necessário praticar três ações propostas pelo Papa Francisco.

«a maior dificuldade não está nos “chamados”»
P.e César Braga - do Departamento de Vocações do Conselho Episcopal Latino-americano - lembrou que a maior dificuldade não está nos “chamados”, mas nos “chamadores”, pois a “crise não é de vocações, mas de nova evangelização”. Isso torna necessário “mudar as estruturas e os estilos que já não estão de acordo com os tempos da nova evangelização”.

«é preciso sair, ver, chamar”»
É preciso procurar “nos sentinelas do futuro (os jovens) processos que os ajudem a crescer na sua dimensão humana e espiritual” e, para isso, “é indispensável o uso das redes sociais, habitadas pelos jovens”.

Também é importante realizar um trabalho com eficácia, rezar pelas vocações e que a pastoral vocacional esteja presente em todas as demais pastorais, indicou.

P.e Braga desafiou os participantes “a sair às periferias baseados nos três verbos que o Papa Francisco usou em seu discurso aos participantes do Congresso Vocacional em Roma, em outubro de 2016: sair, ver, chamar”.

“Para sair às periferias é necessária a disponibilidade, para acolher o chamamento do Espírito. E, por outro lado, saber descentralizar-se, ou seja, que Jesus seja realmente o centro de nossa vida e das nossas comunidades, para poder segui-Lo onde queira levar-nos”, disse.

«padres, freiras, irmãos... devem fazer-se visíveis» 
Para uma adequada pastoral vocacional, as paróquias e institutos de vida consagrada devem fazer-se visíveis “por meio do testemunho que deve mostrar bons frutos”, já que, “se não há anúncio, não podemos ter nascimento de novas vocações”.

A falta de anúncio e de amor são, segundo P.e Braga, os principais obstáculos para atrair vocações.

«não pescamos vocações, somos responsáveis de que despertem»
Por sua vez, P.e Carlos Silva, responsável pela Pastoral Vocacional da Diocese de Salto, sublinhou que “é o Pai que elege, o Filho que chama ao discipulado missionário e o Espírito que dá a força e sustenta a resposta”.

Esse chamado de Deus é “um dom e uma graça, que envolve todas as dimensões do sujeito e a sua história”. Neste papel, os responsáveis “não pescamos vocações”, mas “somos responsáveis de que se despertem”.

Isso “exige uma pedagogia particular apoiada em um tripé: oração, proximidade e chamamento”, no qual o acompanhante “deve executar três ações: escutar, escutar e escutar”, porque “quem se arrisca a acompanhar deve saber que o outro é toda a Igreja e que merece todo o seu tempo”.

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