segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Uma teologia do Dom abriria portas às mulheres na Igreja



Irmã Susan Olson, das Irmãs Escolares de Notre Dame de Namur,
em artigo publicado no National Catholic Reporter, de 15-01-2014. (http://ncronline.org/news/theology/theology-gifts-would-open-doors-women-church)
A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O Papa Francisco retirou da pauta do dia o assunto da ordenação de mulheres. Talvez tenha chegado a hora, então, de colocar em discussão os dons partilhados do espírito e a teologia dos sacramentos e incluí-las no debate.

Sete são os sacramentos e, muitas vezes, os sacerdotes estão sobrecarregados com o sistema sacramental hoje vigente. O poder sobre os sacramentos exige tanto dos párocos que, com frequência, os deixa com pouco tempo para visitar os paroquianos, preparar a liturgia e homilia e para dedicar-se à sua renovação espiritual. Hoje os diáconos partilham a capacidade de administrar alguns dos sacramentos, porém às vezes estes também se encontram fora do seu objetivo primário de ministério aos pobres e aos necessitados na paróquia.

Talvez a teologia dos sacramentos seja uma abordagem melhor do que os anos gastos desenvolvendo uma teologia das mulheres, as quais são, antes de tudo, humanos e parte do laicato. Uma teologia dos dons abriria portas à partilha da vida sacramental da Igreja com as mulheres. O laicato como um todo e, em particular, as mulheres têm dons que poderiam ser partilhados na administração dos sacramentos, e a teologia envolvendo os sacramentos apoia esta partilha. O diaconato abriu as portas e agora são somente as mulheres que estão excluídas.

O sacramento do batismo: Muitas vezes as leigas são as pessoas que preparam tanto os adultos quanto as crianças para este sacramento. Na teologia dos sacramentos, qualquer pessoa pode batizar em caso de morte. Por que esperar? Depois de todo o tempo gasto na preparação das pessoas para o sacramento, não seria interessante administrá-lo e celebrá-lo? Em vez disso, o que ocorre é que frequentemente quem prepara os participantes fica em segundo plano ao passo que o padre ou diácono, que não tiveram tempo para realmente se encontrarem com estas pessoas ou famílias cujos filhos estão sendo batizados, administram o sacramento. Onde estão as mulheres?

O sacramento da reconciliação: Gostaria de saber quantas mulheres foram treinadas na direção espiritual. O dom da escuta e auxílio aos adultos em seu crescimento espiritual está se tornando, cada vez mais, parte da vida das pessoas. As mulheres estão se preparando e usando este dom em maior número.

A cada 400 anos o sacramento da reconciliação muda. Foram os monges irlandeses que sugeriram listas de pecados e atribuição de penitência de acordo com a gravidade do pecado. Agora vivenciamos o sacramento como um diálogo face a face, ou como uma absolvição geral após uma curta interação com o padre. Embora esta segunda parte tenha sido introduzida agora, novamente os sacerdotes ainda são os únicos permitidos a administrar o sacramento.

Partilhar o sacramento com diretores espirituais (muitos dos quais são mulheres) faria ressuscitar um sacramento que se encontra em declínio.

O sacramento da unção dos enfermos: Muitas mulheres atuam como capelães e ocupam seu tempo visitando enfermos nos nas casas e em hospitais. A capacidade de estar com pessoas enfermas, de ungi-las e orar junto delas e de suas famílias faz sentido. Por que esperar aparecer um sacerdote sobrecarregado de suas funções, quando a relação já foi estabelecida com um visitante regular? Em muitos casos, o religioso não está disponível para realizar este sacramento.

O matrimónio: Aqui novamente os diáconos são testemunhos deste sacramento. Gostaria de saber como seria este sacramento se acaso o diácono e sua esposa fossem quem o administrasse. Muitas vezes o programa de preparação para o matrimónio é dado as casais. No matrimónio, duas pessoas estão prontas a firmarem um compromisso formal um ao outro no interior da comunidade. Elas estão se casando tendo a comunidade como testemunha. A teologia dos sacramentos permite àquelas pessoas com mais entendimento dos dons e desafios enfrentados administrar o sacramento. Este é melhor administrado por casais que se encontram na comunidade e que podem partilhar da sabedoria do sacramento com o casal que está firmando o compromisso.


Partilhar estes sacramentos com os leigos (incluindo as mulheres) abre a comunidade para um uso melhor dos dons e dá aos sacerdotes tempo para estarem presentes na comunidade de uma forma nova.

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